Archive for the ‘Uncategorized’ Category

madura indignação__

Posted: July 4, 2018 in Uncategorized

Carta aberta de uma senhora idosa aos ministros do STF 

26/06/2018 às 17:13


Exmos. Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal,
É com sofrimento na alma, mas de forma respeitosa que venho lhes perguntar:
A nação brasileira está em frangalhos, destruída de forma ignóbil e o povo esmagado pelo poder político.
1 – Será este o conceito de democracia que o STF prega e admite?
2 – Será isto que nossa humilde constituição previu, quando foi elaborada?
3 – Serão os senhores, os legítimos defensores da lei? Ou não serão por acaso meros interpretes da vontade dos grupos que os colocaram aí?
4 – O poder emana do povo ou não doutores?
Somos ou não somos todos iguais perante a lei?
A JUSTIÇA ANTES DE TUDO DEVE SER JUSTA !
Enquanto o amor constrói doutores, a luxúria, a ganância, a luta pelo poder destrói e nos mata aos poucos.
Por que tanta ostentação no STF e nos demais poderes? 
Um sentimento de humilhação, impotência baixa sobre nós a plebe ignara, quando os vemos entrar vestidos como reis, com suas capas negras (togas) impolutas e os servos puxando as cadeiras, para que vossas majestades tomem assento.
Nos choca também, políticos exibindo carros, aviões, hotéis, restaurantes de luxo (até para amantes) pago por nós, os vassalos da REPÚBLICA REAL DO BRASIL.
Enquanto isto, vários de nós mal temos alimentação, nossos entes queridos morrendo nas portas de hospitais por falta de medicamentos, médicos ou leitos.
Crianças sem escola, promovidas sem conhecimento básico, pois a orientação é fazer a fila andar.
Desemprego galopante, seres humanos se matando por depressão, de vergonha, de desespero, pois não suportam ver os filhos vivendo em penúria extrema.
Enquanto isto, políticos sentados também em tronos do poder criam bolsas esmolas, que também são usadas como meio de corrupção ou eleitoreiros.
Como idosa cidadã brasileira, convido-vos, para esquecerem um pouco suas vidas e vaidades, descerem do pedestal, despirem-se dos seus mantos e virem conhecer o verdadeiro Brasil.
Aquele que levanta de madrugada, pega 3 tipos de transportes diferentes, para chegar ao trabalho e no final do mês, deixa metade do seu salário, para pagar impostos do Legislativo e executivo.
E ainda por cima carregam 40 ministérios, 580 Deputados, mais de 80 senadores e milhares de assessores e asseclas sustentados pela quase miserável classe média .
É JUSTO ISSO?
UMA PÁTRIA SEM IRMÃO, SEM RAZÃO, COM CORRUPÇÃO, SEM EDUCAÇÃO E SEM CORAÇÃO.
Dividida e repartida, sem bandeira e sem brasão. E políticos e empresários corruptos, sendo soltos da prisão, por um grupo do STF, que impede que a justiça cumpra a sua missão.
Minha gratidão àqueles que estão favoráveis e lutando pelos brasileiros.
EU AMO O BRASIL PROFUNDAMENTE EM VERDE E AMARELO.
(Texto de dona Riquelme Silva)
da Redação

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Festival da Liga do Samba Junino anima os largos do Pelourinho
No dia 30 de junho, o festival que chega à sua terceira edição nos largos do Pelô
O dia de São João já passou, mas o ciclo de festejos juninos continua animando o Centro Histórico de Salvador. Os principais Largos e Ruas do Pelourinho serão tomados pelo 3º Festival da Liga do Samba Junino. O evento acontece neste sábado (30) às 19h com arrastões e diversos shows gratuitos realizados nos Largos Tereza Batista, Pedro Archanjo e Quincas Berro D’Água.
Realizado em 2017 no Bairro do Garcia, o Festival volta em 2018 ao Centro Histórico de Salvador e traz na programação os tradicionais arrastões de samba. O primeiro arrastão sairá às 19h do Largo do Pelourinho, em frente à Igreja do Rosário dos Pretos, com o grupo Comendo Água. No mesmo horário, sai o segundo arrastão do Cruzeiro de São Francisco com o Samba do Morro e o terceiro sai do Terreiro de Jesus com o Zumbaê. Os arrastões irão percorrer as ruas e largos do Centro Histórico em direção ao Largo Pedro Archanjo, onde acontecerá a apresentação do grupo Os Mulatos, a partir de 20h.
Mas os festejos pelo Samba Junino não param por aí.  A partir de 21h, outros três arrastões irão sair dos mesmos locais com os grupos Sambalança, Samba Salamá e Samba Duro VS e Balão de Ouro, respectivamente. Após percorrer as ruas do Pelourinho, estes novos arrastões seguirão para o Largo Tereza Batista e Largo Quincas Berro D’Água com shows da Roda de Samba Mucum’G e Bicho da Cana respectivamente.
“Além do fortalecimento da cultura, nós da Liga do Samba Junino temos uma grande preocupação com ações de responsabilidade social e, estamos pedindo a doação de dois quilos de alimentos não perecíveis pela troca das camisas. Os alimentos poderão ser trocados na sede da Liga que fica na Rua Prediliano Pita, 30, Garcia, em frente ao Colégio Edgard Santos. Os alimentos arrecadados, serão doados para as Voluntárias Sociais que irão repassar para instituições carentes”, afirma o diretor de relações institucionais da Liga do Samba Junino, Nonato Sanskey.
O Samba Duro – De origem e cultura ancestral herdada dos povos de matrizes africanas que vem resistindo ao tempo e com base na unidade da população periférica de Salvador, proporcionando às novas gerações o conhecimento histórico do seu povo.
O Samba Junino – O estilo musical representa uma expressão cultural genuinamente soteropolitana, marcado pela rítmica do samba duro, disseminada há pelo menos 40 anos em diversos bairros de Salvador. Os bairros tradicionais que realizam os festejos são Engenho Velho de Brotas, Engenho Velho da Federação, Federação, Fazenda Garcia, Tororó, Nordeste de Amaralina, Canabrava, Uruguai, Liberdade, dentre outros.  Com  instrumentos musicais de uso obrigatório como tamborim, marcação e timbal, o samba junino traz características como vestimentas e a personalidade de cada grupo que se apresenta acompanhando o ritmo dado pelo tamborim, à cadência do timbal e o balanço da marcação. Em fevereiro deste ano o Samba Junino foi reconhecido como Patrimônio Imaterial de Salvador.
A Liga do Samba Junino – Criada no ano de 2013, a Liga tem como objetivo preservar e valorizar a cultura do Samba Duro em Salvador. Nestes cinco anos de criação a Liga vem promovendo festivais, debates, palestras e encontros, bem como reativando grupos antigos de samba com objetivo de reconstruir a história do Samba Junino.
Após o festival que acontece neste dia 30, a Liga do Samba Junino continua a festa participando do desfile do 2 de Julho, durante o cortejo em celebração a Independência da Bahia, o Sambão da Liga irá apresentar a importância da valorização da cultura do Samba Junino para o público presente.
O 3º Festival de Samba Junino da Liga do Samba Junino conta com o apoio do Governo do Estado através da Bahiatursa e terá uma ação solidária.
A programação tem apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), por meio do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) e do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC).
Serviço>
Festival da Liga do Samba Junino
Samba Os Mulatos
Largo Pedro Archanjo às 20h
Gratuito
Largo Tereza Batista às 21h30
Roda de Samba Mucum’G
Gratuito
Largo Quincas Berro D’Água às 21h30
Samba Bicho de Cana
Gratuito
Largo Tereza Batista às 23h
Sambão da Liga do Samba Junino
Gratuito
Programação
Arrastões:
Local de saída: Igreja do Rosário dos Pretos
Das 19h às 20h – Samba do Neguinho
Das 21h às 22h – Sambalança
Local de saída: Cruzeiro de São Francisco
Das 19h às 20h – Samba do Morro
Das 21h às 22h – Comendo Água e Samba VS
Local de saída: Terreiro de Jesus
Das 19h às 20h – Samba Zumbaê
Das 21h às 22h – Samba Balão de Ouro

 

Jesus Barreto -nacopadarussia

Posted: June 25, 2018 in Uncategorized

Jose Jesus Barreto
Copa da Rússia tem
Uma semana decisiva
Começam nesta segunda-feira os confrontos da rodada final da primeira fase, classificatória, da Copa que definem as 16 seleções que seguem adiante, para as oitavas de final, em busca do título na Rússia. E que definem os primeiros jogos em ‘mata-mata’, perdeu cai fora – sempre os primeiros de uma chave contra os segundos colocados de outra. Semana quente, pois.
*
Não teremos jogos às 9h. Os dois confrontos do Grupo A, por exemplo, acontecerão às 11 h, os jogos no mesmo horário para que não haja ‘armação’, com equipes em campo já cientes do resultado dos concorrentes. Assim:
– Uruguai x Rússia jogam em Samara, ambos já classificados, com seis pontos, disputando somente o primeiro lugar. No outro embate, no mesmo horário e pelo mesmo grupo se enfrentam os já desclassificados Arábia Saudita x Egito. Jogam pela honra, tão somente.
*
Pelo Grupo B, às 15 h, jogam Irã x Portugal, em Saransk. Portugal tem quatro pontos e o Irã tem três. Ambos com chances de classificação.
Na outra partida, pelo mesmo grupo, a Espanha, com quatro pontos ganhos, pega o já desclassificado Marrocos. La Fúria espanhola é a favorita. O jogo acontece em Kaliningrado, a 1290 km de Moscou, um território russo localizado às margens do Mar Báltico, norte europeu, entre a Lituânia e a Polônia, herança dos tempos da URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. O estádio é novíssimo, inaugurado este ano.
**
Vistosa Colômbia
A Colômbia fez contra a Polônia a melhor partida das seleções sul-americanas até agora na Copa. Desclassificou os poloneses, mandou o artilheiro Lewandowski de volta pra casa sem fazer um golzinho sequer na competição, até aqui, e deixou uma ótima impressão de futebol coletivo, com alguns craques brilhando: James Rodrigues, Cuadrado, o meia Quintero e o zagueiro Mina, que atua no Palmeiras.
Os colombianos abriram o placar já na primeira etapa, numa cabeçada de Mina após um passe precioso de James. Só deu Colômbia. Os polacos voltaram mais acesos na segunda etapa, mas em dois contragolpes perfeitos os nossos vizinhos do norte mataram o jogo: O segundo gol foi de Falcão Garcia, finalizando uma enfiada precisa de Quintero; o terceiro foi de Cuadrado em outro lançamento profundo, agora de James, entrando em velocidade pelo meio e desviando do goleiro.
Com os três pontos conquistados, a Colômbia tem chances de classificar no Grupo H.
**
Ásia e África embolados
Japão e Senegal se bateram em Ecaterimburgo e fizeram um bom jogo de quatro gols, no empate de 2 x 2. Ambos ficaram com quatro pontos ganhos, com chances totais de classificação. Na rodada final o time asiático enfrenta a derrubada Polônia e os senegaleses se pegam com a boa Colômbia. Vai sair faísca, disputa de vaga.
Os senegaleses foram melhores no jogo contra o Japão, mas o goleiro e a defesa deram mole e os japas, sempre inferiorizados no placar, buscaram e conseguiram o empate na raça, com determinação. Mané fez 1 x 0 aos 10 minutos, num rebote tolo do goleiro japonês; Inui empatou aos 33’, ainda na primeira etapa, em boa jogada individual na área. No segundo tempo, aos 25’, o lateral senegalês Wagué, 19 anos fez um belo gol num arremate forte, de direita; mas o veterano Honda achou o empate aos 34 minutos, após uma saída em falso do goleiro africano. Justo.
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Chocolate inglês
Na primeira partida do domingo de São João, lá em Novgorod, a Inglaterra, sem precisar tirar a cartola, enfiou 6 x 1 no incipiente Panamá. Uma festa para o centroavante e ídolo inglês Kane, que fez três gols e é agora o artilheiro isolado da competição, com cinco gols, um a mais de que Cristiano Ronaldo e Lukaku. O zagueirãao Stones fez mais dois de cabeça e Lingard marcou um golaço, o terceiro, num chute colocado que entrou no ângulo.
O futebol do Panamá, estreante em copas, mostrou-se grosseiro. Mas o veterano zagueiro Baloy, capitão panamenho, fez história, marcando o primeiro gol do país em Copas do Mundo, o chamado ‘gol de honra’. Saiu carregado de campo, feliz da vida, o torcedor panamenho festejando, mesmo com a surra levada.
Coisas da Copa. Muito mais do que ganhar ou perder.
Sigamos.
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Zedejesusbarreto 24jun2018

‘pasep liberado -agbr! __

Posted: June 15, 2018 in Uncategorized

Brasil                           https://bit.ly/2JTfNzI
Comunicar Mais
Imprimir13/06/2018 14:00
PIS/Pasep tem seu saque liberado para contas inativas de todas as idades
Liberação do pagamento deve injetar R$ 39,5 bilhões na economia
O presidente Michel Temer sancionou hoje (13) a lei e assinou o decreto que regulamentam os saques das contas inativas dos fundos dos programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), para todas as pessoas quem tenham o benefício. O pagamento das cotas deve injetar R$ 39,5 bilhões na economia. O impacto potencial no PIB é na ordem de 0,55 ponto percentual.
Temer pediu à equipe do governo que haja uma ampla divulgação da medida, nas redes sociais, televisão e jornais, para que todas as pessoas que tenham direito possam sacar o dinheiro. “São valores depositados até 1988 e estão lá paralisados, engordando um pouco a Caixa e o Banco do Brasil, enquanto devem engordar financeiramente aqueles que são beneficiários, os trabalhadores”, disse.
O objetivo, segundo o presidente, é movimentar a economia brasileira, assim como ocorreu com o saque das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que injetou cerca de R$ 43 bilhões na economia. “E são valores preciosos”, ressaltou Temer. “Aqui são R$ 39 bilhões que podem não só satisfazer aqueles que vão buscá-los, mas também inserir isso na economia brasileira.”
Quem tem direito – Tem direito ao saque servidores públicos e pessoas que trabalharam com carteira assinada de 1971, quando o PIS/Pasep foi criado, até 1988. Quem contribuiu após 4 de outubro de 1988 não tem direito ao saque. Isso ocorre porque a Constituição, promulgada naquele ano, passou a destinar as contribuições do PIS/Pasep das empresas para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que paga o seguro-desemprego e o abono salarial, e para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A partir da próxima segunda-feira (18) até o dia 28 de setembro, qualquer pessoa titular de conta do PIS/Pasep ou seu herdeiro podem sacar os recursos. Quem puder aguardar para resgatar o dinheiro a partir de agosto, poderá ganhar um pouquinho a mais, pois o reajuste dos valores nas contas para o exercício 2017/2018 será feito em julho. No exercício passado, o reajuste foi de 8%.

O Projeto de Lei de Conversão 8/2018, decorrente da Medida Provisória (MP) 813/2017, que permitiu os saques, foi aprovado pelo Senado, no dia 28 de maio.

Desde a criação do PIS/Pasep, em 1971, o saque total só podia ser feito quando o trabalhador completasse 70 anos, se aposentasse, tivesse doença grave ou invalidez ou fosse herdeiro de titular da conta. No segundo semestre do ano passado, o governo já tinha enviado ao Congresso duas MPs reduzindo a idade para o saque a partir de 60 anos, sem alterar as demais hipóteses de acesso a esses recursos.
Beneficiados – O público total beneficiado pela medida é de 28,7 milhões de pessoas e, dessas, cerca de 3,6 milhões já fizeram o saque até maio de 2018. Do total dos recursos, R$ 5 bilhões já foram resgatados pelos cotistas e R$ 34,3 bilhões ficarão disponíveis para serem sacados no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal.
Para saber se tem direito ao benefício, o trabalhador pode acessar os sites www.caixa.gov.br/cotaspis e www.bb.com.br/pasep.
Nos próximos dias, o Ministério do Planejamento detalhará os cronogramas de saques. Aqueles que tiverem conta-corrente na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil terão o depósito feito automaticamente a partir de 8 de agosto. Os demais cotistas poderão fazer os saques diretamente nas agências da Caixa e Banco do Brasil ou solicitar a transferência sem ônus para suas contas em outros bancos.  Fale Conosco


caravana __

Posted: June 6, 2018 in Uncategorized

O DÉCIMO DIA DA TRAVESSIA

Estávamos no décimo dia de viagem. Ainda não tinha amanhecido. Eu me revirava de um lado para o outro sem sono. Resolvi sair da barraca. O deserto estava iluminado pelas muitas estrelas do céu e de alguns poucos lampiões pendurados nas entradas das tendas. Uma brisa fria, que no passar das horas desaparecia para dar lugar a um forte calor à medida que o dia avançava, exigia que eu me cobrisse com uma manta. O silêncio era absoluto. Ocorreu-me que ainda não tinha ouvido ninguém na caravana falar dos demônios do deserto. Eu conhecia muitas histórias, mitos e lendas sobre esses espíritos e não tinha qualquer dúvida de que havia algo de verdade. Sentei-me na areia e fiquei envolvido em reflexões. Logo o céu mudou de cor anunciando o novo reinado do sol. As tendas começaram a ficar barulhentas com o despertar do acampamento. Alegrei-me com a possibilidade de tomar um café quente logo pela manhã. A primeira pessoa que vi foi o caravaneiro. Ele estava pensativo, com o olhar perdido no deserto. Estranhei ele não estar com o falcão para o adestramento matinal. Sem dar importância a esse detalhe, me aproximei e perguntei pelos demônios do deserto. Eu queria saber se ele acreditava na existência deles. O caravaneiro me olhou rapidamente, depois se voltou para o deserto e disse: “Eles acompanham a caravana e estão misturados aos viajantes”.

Antes que eu iniciasse uma série de perguntas que me ocorreram, ele orientou: “Arrume logo a sua bagagem. Sairemos mais cedo do que de costume, pois temos que chegar ao poço antes do anoitecer. Precisamos abastecer. Não há tempo a perder”. Falei que antes tomaria uma caneca de café. Ele esclareceu: “Não haverá desjejum hoje. Partiremos assim que as tendas forem recolhidas”. Aquilo me irritou. Alguns poucos minutos para um rápido café não fariam diferença até a chegada ao poço. Achei que faltavam planejamento e sensatez. Pensei em dizer isso a ele, mas quando me virei e o caravaneiro viu as minhas feições, se adiantou as minhas palavras e falou: “Reze”. Em seguida concluiu: “Que Deus o proteja”. E saiu.

Voltei para a tenda e arrumei as minhas coisas. Foi quando percebi que a bela mulher com olhos da cor de lápis-lazúli me observava. Conversar com ela era uma das coisas mais interessantes da caravana. Tentei me aproximar, mas um homem intercedeu pela minha ajuda. Precisava de auxílio para colocar o seu pesado alforje sobre o camelo. Não tinha como negar; um precioso minuto foi suficiente para eu não mais a encontrar quando tornei a procurá-la. Voltei a me irritar ainda tão cedo. Aquele não estava sendo um bom dia.

Logo a caravana iniciou a sua marcha. Domei a minha ira à força, como se faz com um animal selvagem, e tive os pensamentos desviados para memórias, antigas e recentes, de situações mal resolvidas que ainda me traziam desconforto. Enquanto atravessávamos dunas após dunas, eu lembrava de como poderia ter me comportado diferente naqueles momentos do passado que me deixaram mágoas. Achei que algumas pessoas mereceriam respostas mais duras e outras eu jurei nunca mais procurar ou dirigir a palavra. Olhei no relógio e o tempo se arrastava bem mais lento do que eu desejava.

Foi quando tornei a perceber que, de longe, a bela mulher com os olhos da cor de lápis-lazúli me observava. Porém ela estava a uma distância que não permitia a minha aproximação. Nesse momento, um homem que seguia um pouco à frente, acendeu um charuto. Era comum algumas pessoas fumarem durante a marcha, mas aquele cheiro estava insuportável. Como ninguém nada falou, adiantei o meu camelo para reclamar com ele. Logo se iniciou uma ríspida discussão acalmada pelos viajantes que estavam próximos. Um dos encarregados da caravana me recolocou em outro lugar, distante da fumaça do charuto. Fiquei indignado com a permissividade de todos em relação ao fumo. Sem dúvida, um absurdo, mormente em um grupo controlado com regras de comportamento tão rigorosas como uma caravana. Decidido a não deixar que a irritação me dominasse, desviei o pensamento para momentos agradáveis da minha vida. Situações que me levaram a outras, de pesadas memórias. Dei-me conta de como as pessoas são difíceis e como é raro encontrar alguém que tenha empatia pelos outros, que sintam os sentimentos do mundo e disponibilize o próprio coração com boa vontade para pacificar as relações. Situações que eu pensei esquecidas tornaram a se fazer presentes em minha memória, trazendo a sensação de que eu não tinha sido tão feliz quanto imaginava. Tive certeza o mundo não era um bom lugar para se viver quando chegou a notícia de que não pararíamos, como também era de costume, para um breve almoço. A caravana seguiria initerruptamente até o poço. O calor estava insuportável e o sol mais quente do que nos dias anteriores. A bela mulher de olhos da cor de lápis-lazúli, de longe, continuava a me observar.

Custei a acreditar quando chegamos ao poço ainda no meio da tarde, restando algumas boas horas até o anoitecer. Veio a ordem para montar o acampamento e que todos se abastecessem de água. O jantar seria servido em seguida. Decidi esperar que a enorme fila que se formou no poço terminasse. Não havia pressa, pois só partiríamos no dia seguinte. Vi que o sábio homem do chá colocava algumas ervas em infusão e me aproximei. Comentei que não entendia a pressa que nos deixou sem desjejum e almoço. Ainda era cedo e daria tempo para tudo. O homem sorriu com doçura e tentou explicar: “As reservas de água da caravana estavam esgotadas e não podíamos correr o risco que algum imprevisto impedisse que chegássemos aqui antes de anoitecer”. Falei que se a caravana fosse uma empresa e o caravaneiro o seu diretor, com certeza seria demitido por um planejamento tão equivocado. O sábio do chá disse com doçura: “Por isso ele é um homem da areia e não um executivo do asfalto. Cada qual com a sua beleza e sabedoria”. Agradeci o chá e me afastei pensando como as pessoas no deserto eram resignadas em excesso. Eu não tinha ouvido uma única reclamação por causa daquela absurda programação. Uma paciência tão estendida que beirava a permissividade. Isto me incomodava.

Enquanto aguardava o jantar, vi que o caravaneiro se afastava com o seu falcão pousado na grossa luva de couro que usava no braço esquerdo, para iniciar o treinamento vespertino da ave. De longe vi o falcão planar no céu por longos segundos com as asas abertas até as recolher para um mergulho profundo e retornar com uma serpente em suas garras. A cena me fascinou e decidi me aproximar, quando fui impedido por um dos encarregados, sob a alegação que o caravaneiro tinha pedido para ficar só. Falei que estranhava a ordem, pois outras vezes tinha conversado com ele enquanto adestrava o falcão. Acrescentei que estava cansado de ordens sem qualquer sentido e me desvencilhei para ir de encontro ao caravaneiro. O encarregado tornou a me segurar e quando tentei me soltar, a minha roupa rasgou. Reagi e nos embolamos no chão. Rapidamente outras pessoas chegaram para apartar a briga, evitando maiores consequências. O caravaneiro que assistiu a tudo, mandou que fossemos falar com ele. Demos as nossas explicações. Dispensado o encarregado, que apenas cumpria uma ordem, o caravaneiro se virou para mim e disse: “Você não queria conhecer os demônios do deserto? Eles te acompanharam por todo o dia. Espero que consiga se entender com eles”. Em seguida determinou que eu estava proibido de jantar e deveria ficar o resto do dia afastado do grupo. Irritado, perguntei se ele me puniria com a fome. Ele esclareceu: “Não, a sua pena será a reflexão. Mais do que uma punição, que a pena sirva de aprendizado ou não servirá para nada”.

Sozinho, sentado na areia, vi o céu mudar de cor enquanto a minha mente se parecia com uma tempestade do deserto. Revolta e ressentimento me devoravam como predadores a uma presa. Foi isto que falei à bela mulher com os olhos da cor de lápis-lazúli quando ela me surpreendeu ao se sentar ao meu lado. Ela ouviu todos os meus lamentos com paciência e, ao final, falei que o caravaneiro dissera que os demônios tinham me feito companhia por todo o dia. Confessei que tinha achado sem sentido o comentário dele, pois o fato de eu ter opinião sobre qualquer assunto era um direito meu. A mulher balançou a cabeça em concordância, mas teceu considerações que iam além do aspecto mundano: “Nossas opiniões são sagradas por revelarem, muito ou pouco, da verdade que nos habita naquele momento. As escolhas, reflexo prático das ideias, se nutrem das nossas emoções, poço onde os demônios bebem se dermos a eles aquilo que os alimenta. Então, o sagrado se afasta, a espera de que possamos entender e lidar com a trindade que define quem somos: sentimentos, ideias e escolhas. Coração, mente e mãos; sentir, pensar e fazer. Eis a santíssima trindade do ser”.

Eu quis saber quais eram os alimentos dos demônios. A mulher respondeu de imediato: “As sombras. Muito mais do que em grandes desastres, os demônios se fazem presentes nas situações banais do cotidiano. O orgulho, a vaidade, a inveja, o ciúme, a ganância, o medo, o egoísmo, a impaciência, a vitimização são as portas de entrada mais comuns. Formam um enorme banquete para as trevas. Por descuido, no desencontro de quem somos, nos tornamos justamente aquilo que tememos”.

“Isso nos leva a uma óbvia conclusão: ninguém nos prejudica mais do que cada um a si mesmo”.

Pedi para ela explicar melhor, mas a mulher se levantou, disse para eu continuar em reflexão. Se pudesse, após o jantar, voltaria. A vi se afastar com seu jeito gracioso de andar até desparecer em uma das tendas. Envolto comigo mesmo, achei que aquelas palavras faziam sentido e me permiti usá-las como guia para reflexão. Procurei acalmar os sentimentos para que não atrapalhassem a fluidez dos pensamentos. Passado algum tempo, me ocorreu que, se eu agigantava os demônios com as minhas emoções, ideias e atitudes, também seria capaz de enfraquecê-los da mesma forma. Tudo se resumia em ser um poço de sombras ou de luz. Isto definiria quem, se anjos ou demônios, se aproximaria para andar comigo. Sim, os demônios do deserto não apenas se alimentavam comigo, mas, pior, percebi que muitos eram criações minhas. Sim, alguns nasciam das minhas emoções, ideias e atitudes.

Em contrapartida, pensei, como criador eu também tinha o poder de criar anjos. Melhor ainda se eu criasse os anjos a partir da transmutação dos próprios demônios. Afinal, “nada se perde, tudo se transforma”, ensinou certa vez um alquimista francês. Para tanto, era preciso luz. Onde buscar luz? Ora, só havia um lugar, na mesma fonte das sombras, na trindade pessoal, em mim mesmo. Cada ser é a perfeita fonte de luz do universo. Luz ou trevas, anjos ou demônios, são escolhas pessoais. Naquele instante, eu percebi que precisava refazer as minhas criações. Era necessário também trocar quem me acompanhava e aconselhava. Entendi que por este motivo, a trindade pessoal é o perfeito escudo contra o mal. Indo mais fundo, cheguei à conclusão de que, se ela, a trindade pessoal, me liberta das prisões impostas pelas sombras, ela se torna também as minhas asas. Ali, na trindade, está todo o poder e a magia do mundo. Uma agradável sensação me envolveu. Satisfeito, sorri comigo mesmo.

Passou um tempo que não sei precisar; todo o acampamento dormia, enquanto eu continuava encantado com as minhas descobertas. A bela mulher com olhos de lápis-lazúli retornou. Contei sobre o conhecimento que tinha se revelado para mim e a agradeci por suas palavras. Ela arqueou os lábios em leve sorriso e disse: “Nada que não estivesse pronto para florescer. As sombras não são de todo ruim como se costuma pensar. Não raro se tornam a força necessária para romper a casca da semente onde a luz aguarda para germinar”.

Falei que estava envergonhado pela minha postura durante aquele dia. A mulher me corrigiu em um tom entre a gentileza e a firmeza: “Não sinta vergonha para não ficar paralisado. Ninguém chega pronto para atravessar o deserto. Seja grato a tudo e a todos pelo aprendizado. No entanto, o mais importante é o compromisso com a transformação do próprio ser e toda a mudança que isto irá gerar ao seu redor”. Olhou-me profundamente e concluiu: “É disso que os demônios mais temem”.

Sem se despedir, se levantou e andou até o alto de uma duna. Então, sozinha, bailou para as estrelas que iluminam o céu do deserto.

Outros textos do autor em www.yoskhaz.com

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Posted: June 6, 2018 in Uncategorized

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Posted: June 5, 2018 in Uncategorized

Boletim de Pautas nº183  Agência Embrapa de NotíciasAgência Embrapa de Notícias


Boletim de Pautas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa
Número – 183 – 5 de junho de 2018
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