resposta do Supremo eleva patamar

Publicado: maio 28, 2020 em folha on line, politica e debates_


ANÁLISE
Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulosResposta do Supremo eleva patamar da guerra e dá munição a BolsonaroOperação contra aliados do presidente após ação que mirou Witzel no Rio embute riscos
Igor Gielowa>SÃO PAULOAo longo das últimas semanas, interlocutores do presidente Jair Bolsonaro ouviram repetidas vezes o presidente da República dizer que iria afrontar diretamente uma ordem do Supremo Tribunal Federal.Quase o fez em 4 de maio, quando encasquetou a ideia de renomear Alexandre Ramagem para a Polícia Federal, na semana seguinte à proibição da medida pelo Supremo –a corte validara liminar de Alexandre de Moraes.O blogueiro bolsonarista Allan do Santos, alvo de ação da PF, acompanha agente policial</a
O blogueiro bolsonarista Allan do Santos, alvo de ação da PF, acompanha agente policial – Pedro Ladeira/Folhapress
Desistiu do conflito institucional após ser demovido por aliados ao longo de uma insone madrugada. Mas a ideia permaneceu, secundada pelo crescente apoio de sua ala militar à leitura de que o STF está desequilibrando a harmonia entre Poderes no país com suas decisões.Isso já havia sido colocado em nota do ministro Fernando Azevedo (Defesa), mas num momento em que o alvo era Bolsonaro por participar de atos golpistas.
Mas o clima recrudesceu, culminando na nota ameaçadora do general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) na sexta (22), piorada pelo apoio dado pelo general Azevedo no dia seguinte a seu termos.
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Aqui pesou uma reação corporativa ao fato de que três generais, Heleno inclusive, tiveram de depor no inquérito sobre as acusações de interferência na PF feitas pelo ex-ministro Sergio Moro. A apuração é tocada pelo decano do STF, Celso de Mello.
Mesmo que um deles seja da ativa, usam terno e estão em exercício de funções civis. Não há distinção legal a ser feita, como lembram ministro da corte.
Nesta quarta (27), Alexandre de Moraes voltou ao centro do palco com a operação sobre acusados de perpetrar fake news. O ministro, que divide com o decano o alvo pintado na testa por bolsonaristas nesses dias, há meses trabalha no inquérito das fake news.
O tema apavora o bolsonarismo, basta ver a radicalidade das reações dos afetados em rede social, a começar por Carlos, o filho vereador do presidente que coordena atividades digitais da família —o dito gabinete do ódio.
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Saiba o que pode acontecer com Bolsonaro</a
</aMoro: O depoimento de Moro sobre seu pedido de demissão é o primeiro passo da investigação aberta pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, e autorizada pelo STF. O objetivo é descobrir se as acusações feitas pelo ex-juiz contra Bolsonaro são verdadeiras ou se ele mesmo pode ter cometido crimes. Pedro Ladeira/Pedro Lareira/Folhapress

O problema é mais amplo, de imagem pública institucional. Se a percepção da população acerca dos mecanismos de combate à corrupção for a de que ações obedecem ao “timing” político, o descrédito às acusações estará garantido.

Nada disso é novo, exceto o contexto. Ações que acompanham o biorritmo da política ocorrem no Brasil desde sempre, e ganhou estado da arte sob a Lava Jato de Moro.

Mas o preço que se arrisca a pagar numa guerra aberta entre Poderes é o da vitória, ironicamente, das fake news sobre os fatos. Esta é a disputa no momento.

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