Salvador hoje -por Albenisio

Posted: April 20, 2018 in ambiente, cidade

CIDADE
469 Anos
  outrabahia.com.br
Salvador hoje é o oposto do que se pensa ser verdade
A cidade nascida vila e tornada capital sem nunca ter sido província, é cheia de paradoxos, em outras palavras, o oposto do que se pensa ser verdade, em suas mil e uma faces.

29 de março 2018. Aos 469 anos, a cidade nascida vila e tornada capital sem nunca ter sido província, ainda que continue sendo uma das mais provincianas capitais do país, Salvador é uma cidade cheia de paradoxos, ou seja, o oposto do que se pensa ser verdade, em suas mil e uma faces. Veja alguns exemplos:;

Opostos chocantes: os que moram bem e os que moram mal. Sem esquecermos dos que não têm onde morar.


A cidade não tem mais para onde crescer na horizontal, só pode crescer verticalmente, o que torna seus problemas cada vez mais complexos.



Tem grandes problemas de mobilidade urbana. Não suporta mais automóveis em suas vias congestionadas, mesmo tendo ganhado um metrô, após 15 anos em obras.


Rio Jaguaribe está virando canal de esgoto
De nada adiantaram protestos. Muito menos decisão da Justiça que mandou parar obras. Ninguém parou.
As condições ambientais na cidade pioram a cada dia, com a grave transformação dos seus rios em esgotos ou em canais de concreto para atender aos interesses da especulação imobiliária. Veja matérias que publicamos denunciando o crime ambiental.
https://outrabahia.com.br/noticias/meio-ambiente/ufba-alerta-que-obras-ilegais-dos-rios-jaguaribe-e-passa-vaca-devem-parar/
https://outrabahia.com.br/noticias/meio-ambiente/mpf-pede-paralisacao-de-obras-do-rio-jaguaribe-em-piata/
https://outrabahia.com.br/noticias/meio-ambiente/interesse-de-empresas-e-mais-forte-que-o-governo-prefeitura-e-o-meio-ambiente/



É uma das cidades mais desiguais no Brasil juntando ilhas de riqueza a inimagináveis bolsões de miséria, o que lhe faz ostentar o título cruel de cidade com maior número de favelados do Brasil, conforme dados do IBGE. Confira mais informações nessa matéria de Outra Bahia.
https://outrabahia.com.br/noticias/cidades/salvador-e-a-cidade-que-tem-mais-favelados-no-pais/embed/#?secret=EEQo0blhwo


Mas nem tudo insiste em ser tão ruim

São Salvador, Bahia de São Salvador, a terra do nosso Senhor, do nosso Senhor do Bonfim, ô Bahia, Bahia, Cidade de São Salvador…

Com cerca de 2,9 milhões de habitantes, detentora do maior contingente populacional negro fora da África, a primeira capital do país tem PIB – Produto Interno Bruto girando na faixa dos R$ 32 bilhões, o que a insere na oitava posição no ranking das cidades brasileiras economicamente mais desenvolvidas, compreendendo uma renda per capita na faixa dos R$ 12.267.
Berço da cultura nacional, culinária saborosa e pontos turísticos fascinantes, Salvador comporta, também, a maior baía navegável do mundo. A criativa musicalidade do soteropolitano, seu ritmo e malemolência, permanecem como signos exuberantes cuja representatividade maior está consagrada no Carnaval, além das festividades que celebram tradições centenárias.


Novos limites de bairros do município
A capital compreende um único distrito-sede e já foi subdividida em 22 subdistritos. Atualmente dispõe de 10 subprefeituras, como forma de aproximar a administração junto aos cidadãos da cidade. Em 2017, com base no estudo “ Caminho das Águas em Salvador”, sobre as bacias hidrográficas e o sentimento de “pertencimento” dos moradores, através de um convênio tripartite entre a UFBa, governo do estado da Bahia e Prefeitura de Salvador com financiamento do CNPq (governo federal) a fundo perdido. Entre os seus resultados surgiu a nova delimitação de bairros da cidade do Salvador transformado em projeto de lei que fora aprovado no ano de 2017 definindo 160 bairros continentais e 3 ilhas que formam a região insular do município do Salvador (Ilha dos Frades, Maré, Bom Jesus e a ilhota de Sto. Antônio).
Evidentemente, “o exame da estrutura interna de uma metrópole como Salvador e sua região é um desafio, tendo em vista sua longa história e as modificações realizadas no seu espaço, a sua heterogeneidade social, sua topografia acidentada e ainda seu recente e acelerado crescimento econômico”, como ressalta Pedro de Almeida Vasconcelos, professor titular da Faculdade de Arquitetura da UFBA.
O território atual de Salvador é resultante de sucessivos desmembramentos para a criação de outros municípios na Região Metropolitana, processo que se intensificou a partir da década de 1950, quando foram criados: Candeias (1950), a partir da emancipação do distrito do mesmo nome; Simões Filho (1961), com a emancipação do distrito de Água Comprida; Lauro de Freitas (1962), a partir da emancipação do distrito de Santo Amaro de Ipitanga e Madre de Deus (1939), com a emancipação de parte do distrito de mesmo nome, abrangendo as ilhas de Madre de Deus, das Vacas e Maria Guarda.
Com esses desmembramentos, a cidade teve sua área territorial reduzida para, aproximadamente, 1/3 daquela que possuía em meados do século passado. Importante enfatizar que os limites territoriais entre Salvador e Lauro de Freitas permanecem permanecem os mesmos. Existia um histórico abandono da administração de Salvador da região de praia do Flamengo e Dunas do Abaeté, do que a prefeitura de Lauro de Freitas se beneficiou atuando nas referidas localidades, como se as referidas áreas pertencessem ao município.


Urbanismo está voltado para classes privilegiadas

Poderes públicos só acordam depois do desastre. Na maioria das vezes, tarde demais.

No momento em que comemora-se os 469 anos da fundação de Salvador, “não há intervenção regular do poder público para a melhoria da infraestrutura urbana e das condições de vida de grande parcela da sociedade de baixa renda, o que resulta em situação de precariedade crescente na maioria dos bairros da cidade, espaços tão socialmente desiguais” na opinião de Joilson Cruz da Silva, doutor pela Universidade do Estado de São Paulo e professor de Geografia Urbana da UNEB e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia.

Joilson Silva entende que “Salvador tem se desenvolvido através de um urbanismo ideologicamente voltado para as classes sociais mais abastadas e que, portanto, podem usufruir dos serviços, bens e equipamentos públicos existentes. Isso, em que pese a maior parte dos equipamentos urbanos estar implantada e distribuída nos bairros com população de maior poder aquisitivo, prevalecendo o interesse privado e não o coletivo, na implantação das políticas públicas urbanas”.
Por sua vez – continua Joilson – os bairros populares – compostos em grande parte por uma população de menor renda – necessitam de política pública urbana voltada para o ordenamento urbano e socioambiental. Todavia, o poder público se mostra omisso nas demandas populacionais destes locais”. Ou seja, “Salvador tem tido, por todo esse período, administrações subordinadas a grupos de interesses que controlam e subordinam as instituições municipais a interesses econômicos de reprodução e concentração do capital.


Apogeu e estagnação

Ao longo desses 469 anos, Salvador alterou períodos de apogeu e de total estagnação, ao sabor dos sucessivos ciclos econômicos por quais passaram o Recôncavo baiano – região de influência imediata – o próprio estado da Bahia e o Nordeste brasileiro como um todo.
No momento, com as reformas ao longo da Orla Atlântica e implantação do metrô, surge um novo perfil da urbanidade soteropolitana, embora continuem urgentes a superação de tantos aspectos que ainda tornam a população extremamente vulnerável à chuva em suas áreas de risco, ocupadas irregularmente e à revelia do poder público. É urgente também resolver a generalizada falta de segurança e liderança nacional em desemprego.
A população de Salvador deseja uma cidade que funcione de forma harmoniosa e cada vez mais humana para comemorar os seus próximos aniversários.

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