Tasso e o lobisomem __

Posted: February 21, 2017 in crônicas_, Tasso Franco __

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Tasso Paes Franco ‎
I LOVE SALVADOR
LOBISOMEM DE SERRINHA elogia Mr Aubrey e declina convite para o Momo
Lobi ouve conselhos da neta e resolve cancelar a folia carnavalesca na capital baiana
Lobi de Serrinhada redação em Salvador | 21/02/2017 às 11:28
Aubrey de Grey e a tese do homem de 1000 anos
Foto:
Comungo plenamente com o pesquisador e cientista inglês Aubrey de Grey, 53 anos de idade, o barbudo visionário que defende mais verbas para pesquisas à Fundação Sens, ONG da Califórnia que se dedica a minimizar a senescência com engenharia. E prevê, desde já, que, no futuro próximo, o homem não vai morrer por envelhecimento e algumas pessoas poderão viver até 1000 anos.
Taí, gostei desse barbudo, porque se tenho hoje 281 anos e estou na boca de fazer 282, em abril, embora não seja completamente humano, porque nós lobis somos misto de lobos e homens, e vivemos muitos anos, entre 300 a 400 anos, significa dizer que se os humanos, no futuro, vão viver 1000 anos, nós viveremos 1500, quiçá um pouco mais.
Os chatos, as pentelhas, vão logo dizer que aguentar uma mesma esposa/marido por 30/50 anos não é brincadeira, imagem por 600/700 anos, ainda mais tendo que beijar na boca. Eu e Ester Loura estamos casados há mais de 180 anos e vivemos no maior love até hoje. Imagino que, se os estudos de Mr Aubrey forem adiante e surgirem os medicamentos que combatam, como diz, doenças que surgem com o envelhecimento das células do corpo humano, reparando células, trocando as antigas e bichadas por novas, como se troca um velho carburador num veículo, suportar dona Ester por mais 500 anos vai ser moleza, se os muruins deixarem suas pernas em paz.
Nada que me assuste, até porque, vivo muito bem com ela, e outro cientista e fisico inglês Stephen Hawking, também já profetizou que não acredita que o homem sobreviverá mais 1000 anos sobre a fase da terra, diante dos desastres ecológicos que já começaram. E essa seca que se abate sobre a Serra é um sinal, está esturricando tudo. Até um gato que tinha aqui em casa, o zébedêu, morreu. E vem coisa pior por aí, além de um possível asteroide gigante que se chocará sobre a terra.
Se isso acontecer, essa história de um Bendengó enorme, com mais de 1km de extensão se chocando sobre a Terra, e espero que o epicentro não seja a nossa cidade, vai ser uma coisa do outro mundo porque existem mais de 7 bilhões de pessoas na terra e se morrer esssa quantidade de gente num dia só, ou semanas, ao que se fala só as baratas sobreviverão, vai ser o maior vagar de almas no espaço que se tem noticias.
E, de repente, um camarada como Pinguinha, nosso barbacoa, verá sua alma dialogar com a alma de um chinês e um não vai entender nada do que o outro vai falar. A alma da rainha do Bacalhau da Barão, Miss Eliude, vai debater-se com a Missa Tailândia. Será uma trapalhada como nunca se viu no mundo espírita. E as imagens dos santos das igrejas, todos sucumbirão. E os templos dos crentes virarão cinzas.
Mas, enquanto estamos vivos, um parente nosso lá da Feira, um Colberzão, ligou-me para perguntar se eu iria passar o Carnaval em Salvador. – Se fosse – disse ele – gostaria de ter uma carona. Também quis saber em qual bloco carnavalesco ou camarote iria eu foliar.
A primeira coisa que falei para ele é que, aqui na Serra, é a terra do já teve. Teve Natal, acabou; teve São João, acabou; teve Reis, acabou; teve Carnaval, acabou, e fazia fé que o novo prefeito restabelecesse o Momo, que se não fosse agora, acontecesse em 2018, uma vez que crise financeira falta capilé para tudo menos para festa.
Respondi ao Colberzão que estava analisando se iria ao Momo na capital baiana porque virou uma festa mercantil, uma folia para ricos e só quem tem capilé alto brinca com sossego.
– Se vier, passe aqui, que vamos juntos – disse o Colberzão – arremetendo que dinheiro não era problema.
Animei-me e respondi: Bem, se V.Exa. pagar minha entrada num camarote no Circuito Dodô e uma estada num hotel bacana eu vou.
– Aí você já está querendo demais. De qualquer maneira, vou usar meu prestigio junto a algum dono de camarote, ou mesmo perante um politico, e depois lhe respondo.
– Não me venha com coisa mequetrefe. Só aceitamos, porque vai eu e dona Ester, top de linha, do Camarote do Além pra cima; o da Fabulosa, o da  Marta ou o Pand Folia, frisei destacando só aqueles que oferecem jámon pata negra e champagne.
– V. Exa. está muito chique. O bispo Lopez precisa saber dessa sua nova faceta, sua santidade que é gente simples como eu, e apreciamos um mocofato com um vinho caseiro, vai admirar-se. Ademais, pelo que sei, V.Exa. está acostumado a comer morcegos fritos com folhas de berdoega.
– Sim, morcegos importados de Paris, do Barrefour, e berdoegas orgâncias tratadas com água termais de cantáridas de Biritinga. De mocofato não gosto nem do cheiro. Sou igual ao Grace detesto cheiro de algo que se assemelhe ao povo.
– Sei que tomas é champagne Sidra do mercadinho de Sêo Eliseu, sorriu o Colberzão.
– Isso são para vocês que, embora ricos, têm espírito de pobres. Eu e a Ester, cansamos de amassar barro para faraó, como diria o saudoso radilalista Alvaro Martins, e desde que a Serra inuaugurou seu shooping center com loja da Manuele Stefânia, que aqui se instalou um restaurante Japa com chef de Tóquio, só apreciamos do bom e do melhor. E não somos nós que iremos para o Carnaval de Salvador comer churrasquinho de gato e tomar capeta com vodcka Olov.
Dias depois, o Colberzão liga de novo e diz que arranjou uma boca livre com uma autoridade e revela que o Carnaval estava garantido com tudo do bom e do melhor.
– Que autoridade é essa? – questinoei.
– Isso não posso declinar porque, de repente, poderemos estar sendo grampeados pela Operação Vasa Prato e nos daremos mal. É segredo e se V.Exa confia em mim, arrume a mala e venha.
– Vou consultar dona Ester e depois lhe comunico.
Ao chegar em casa, Ester e minha secretária gastronômica Jú Fraldas estavam finalizando uma sopa de legumes com patinhas de raposa para o jantar e narrei-lhe o convite para irmos ao Momo de Salvador.
– Você sabe que boca-livre tem seu preço. Depois, embora Sêo Colberzão seja um lobi direito, de repente vamos parar num camarote de algum ficha suja e olhe a confução armada. Perderemos prestigio aqui na Serra e nossos adversários vão explorar esse fato, quiçá alardeando que iremos para o xilindro.
– Ah! Você está exagerando, obtemperei.
Minha neta Sol Periquito, a qual estudava licões de português na sala, interveio: – Minha avó tá certa. Se ainda fosse pro camarote de dona Fauna para saborear o paisagismo comestível, tudo bem, seria algo politicamente correto e sustentável.
Diante de tal opinião, declinei o convite do Colberzão, de imediato liguei para ele, e ao jantar a sopa de legumes disse para Ester: – Essa minha netinha sabe das coistas. Vai longe.
– Se continuar estudando com aquele professor de matemática empalitozado, tem um futuro brilhante, respondeu Ester.
Jú Fraldas só sorria enquanto colocava a sopa em nossos pratos. E saiu cantando e rebolando para a cozinha: – Boa romaria faz, quemem sua casa fica em paz.</

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