salve a negra ___

Posted: July 25, 2016 in ativismo, capacitação, cidadania, homenagem

SALVE O DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA.Foto de Marcelo Martins Correa.
Lélia Gonzalez viveu intensamente a história política e cultural brasileira. Mineira de nascimento, filha de um ferroviário negro e mãe de origem indígena empregada doméstica e penúltima de dezoito irmãos, migra em 1942 para o Rio de Janeiro. Sua trajetória guarda pouca semelhança com a maioria da população negra, pois ascende de babá a professora universitária. Engajou-se na luta contra o racismo e
sexismo na década de 70, no Rio de Janeiro, ainda um período de forte repressão dos governos militares.
Pioneira nos cursos sobre Cultura Negra, o qual destacamos o 1º Curso de Cultura Negra na Escola de Artes Visuais no Parque Lage. Esta escola foi também lugar de expressão de vários artistas e de intelectuais negros.Fez inúmeras viagens no Brasil e no exterior (EUA, países da África, da América Central, do Caribe e da Europa) buscando denunciar o mito da democracia racial brasileira e o regime de exceção em que Brasil sua meta era, enquanto intelectual e ativista, oferecer instrumentos práticos e teóricos de desmonte das opressões vividas pela maioria da população brasileira.

Em sua trajetória acadêmica e militante, Lélia Gonzalez combinou teoria e prática política e esteve presente na universidade e nos espaços de atuação política, tudo isso enquanto se graduava em História, Geografia e Filosofia.
Foi professora de algumas instituições de ensino superior no Rio de Janeiro, chegando inclusive a ser diretora do Departamento de Sociologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), nos anos 90. Além disso, foi membro do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN), uma das fundadoras e membro da Comissão Executiva Nacional do Movimento Negro Unificado (MNU), entre 1978 e 1982. Participou do Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo e foi co-autora, com Candeia, do enredo “90 Anos de Abolição”, apresentado pela escola em 1979.

Em 1983 fundou, em conjunto com outras mulheres negras, o Nzinga – Coletivo de Mulheres Negras. Entre 1981 e 1986, militou no Partido dos Trabalhadores (PT), sendo parte do seu Diretório Nacional entre 1981 e 1984. Foi candidata a deputada federal em 1982. Em 1986, estava no Partido Democrático Trabalhista (PDT), por onde se candidatou como deputada estadual, conquistando uma suplência.Foto de Marcelo Martins Correa.

Como intelectual, Gonzalez elaborou pontos importantes para o desenvolvimento de um pensamento político negro e feminino/feminista. A sua formação nas ciências sociais, História e Filosofia lhe permitiu pensar a questão racial sob diversos aspectos, igualmente enriquecidos pelo seu envolvimento com o Candomblé e a Psicanálise. Foi com base nesta que Lélia abordou questões diferenciadas na compreensão da condição das mulheres negras na sociedade brasileira, aplicando conceitos de Freud e Lacan para avaliar aspectos presentes na cultura brasileira que são sintomáticos do racismo e do sexismo.

Um outro ponto de destaque no conjunto da sua obra foi a formulação da categoria da “amefricanidade”, que serviria para definir a experiência dos descendentes de africanos tanto no Brasil como em outra parte das Américas, destacando as elaborações culturais, como a linguagem, por exemplo.
Lélia Gonzalez, historiadora, antropóloga e filósofa, morreu de problemas cardíacos aos 59 anos.
Fonte: Texto adaptado dos sites Mundo Negro e Afirma Brasil e da Dissertação de Mestrado “Relações Raciais, gênero e movimentos Sociais: O pensamento de Lélia Gonzalez” – IFCS/UFRJ, de Elizabeth do Espírito Santo (Mestre em História Comparada), sob orientação do Prof. Dr. Flávio dos Santos Gomes.
Fotos: Januário Garcia
via Marcelo Martins Correa
de Divinópolis, Minas Gerais

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