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Posted: March 20, 2016 in mídia digital_web, politica e debates_

Claudio Botelho discutiu com plateia em BH durante peça e afirmou: "Um ator não pode ser peitado por um negro" - Foto: Divulgação“Um ator não pode ser peitado por um negro”, diz Claudio Botelho após discutir com público em BH

Claudio Botelho discutiu com plateia em BH durante peça com músicas de Chico Buarque e afirmou nos bastidores: “Um ator não pode ser peitado por um negro” – Foto: Divulgação
Por MIGUEL ARCANJO PRADO
O ator e diretor de teatro musical Claudio Botelho se envolveu em uma polêmica durante a apresentação do espetáculo Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos, no Sesc Palladium, em Belo Horizonte, na noite deste sábado (19).
Segundo relatos de espectadores à reportagem, no palco, durante a encenação, ele colocou um caco [quando o ator improvisa] no texto da peça e chamou o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff de “ladrões”.
Boa parte dos espectadores mineiros não gostou e vaiou o artista. O público começou então a gritar “não vai ter golpe” e o espetáculo foi interrompido.
Muitos espectadores saíram da sessão e exigiram o dinheiro de volta na bilheteria.
Inspirado na obra de Chico Buarque, nome fortemente ligado à esquerda e apoiador do governo Dilma, o musical é um compilado das canções de Buarque cantadas ao estilo da Broadway. Muitas das canções são verdadeiros hinos de resistência contra a ditadura civil-militar que vigorou no Brasil entre 1964-1985.
Um áudio divulgado pelo Mídia Ninja mostra uma tensa conversa entre nos bastidores da peça após a polêmica. As vozes, ao que tudo indica, são de Claudio Botelho e da atriz Soraya Ravenle, sua colega de elenco.
Na discussão, a atriz tenta acalmar o diretor, que fala aos berros. Ela afirma que ele não poderia ter provocado a plateia daquela forma em uma semana de tamanha tensão política no país. Ao que o diretor e ator responde:
“São neofascistas, são escrotos, são petistas, são o que há de pior no meu Brasil. Esta gente chega e peita um ator que está em cena”, diz Botelho.
“Um ator não pode ser peitado por um negro”
Aos gritos, Botelho ainda continua sua fala e solta uma frase racista: “Um ator que está em cena é um rei! Não pode ser peitado. Não pode ser peitado por um negro, por um filho da puta que está na plateia. Não pode. Não pode ser peitado. Eu estava fazendo uma ficção.”

Claudio Botelho e Soraya Ravenle tiveram forte discussão nos bastidores do Sesc Palladium, em BH: áudio da conversa foi divulgado pelo Mídia Ninja - Foto: DivulgaçãoClaudio Botelho e Soraya Ravenle tiveram forte discussão nos bastidores do Sesc Palladium, em BH: áudio da conversa foi divulgado pelo Mídia Ninja – Foto: Divulgação

Ravenle diz então que não concorda com Botelho.
“Você tocou numa ferida que está aberta a semana inteira”.
O diretor tentou se comparar a Zé Celso, outro nome fortemente ligado à esquerda, que teve sua versão da peça Roda Viva, musical de Chico Buarque, interrompida por partidários da ditadura civil-militar em 1968, com o elenco espancado, entre eles a atriz Marília Pêra.
“Olha, em 1967 [sic], os militares pararam Roda Viva, hoje os petistas pararam Roda Viva, você entende?”
Ao que Ravenle responde: “Não concordo com você”.
“Não precisa concordar não, porque sou democrático e nunca vou parar uma peça sua”, devolve Botelho.
Ravenle continua sua fala: “Mas a plateia tem direito de vaiar, você provocou, você continuou desafiando.”
“Pega seu dinheiro de volta. Essa peça é minha”, afirma Botelho.

luz e prédios - Aju by alf

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