big brown: nós e o Tinga __

Posted: February 15, 2014 in cidadania, comportamento, José Bomfim_blog do brown

Racismo: os insultos a Tinga ofendem a dignidade humana

Os insultos racistas dirigidos por torcedores peruanos – clique aqui ou na imagem e veja a estupidez – ao volante Tinga, do Cruzeiro, em Huancayo, na partida contra o Real Garcilaso, pela Copa Libertadores,quarta-feira, 12, surpreendeu a muitos brasileiros, mas o fato é que ofensas parecidas já se tornaram rotina em jogos envolvendo clubes e a seleção do Equador quando vão ao Peru. E o pior é que o mau exemplo vem da imprensa esportiva. Como grande parte da população equatoriana é negra, diários peruanos se referem à seleção do país vizinho como “monos”, macacos em espanhol. A reportagem é do site Super Esportes.
No ano passado, antes da partida decisiva pelas Eliminatórias, entre Peru e Equador, em Lima, os termos “mono” e “monito” ganharam manchetes dos jornais esportivos peruanos durante dias seguidos. Revoltada, a mídia equatoriana se queixou de racismo.
O jornal El Telégrafo, do Equador, destacou no dia 7 de junho: “Imprensa peruana é a ‘barra brava’ de sua seleção”. A nota se referia às manchetes racistas e ao excessivo tom de rivalidade criado pela mídia peruana antes do jogo. “Barra brava” é uma definição de torcidas violentas. O jornal Depor, do Peru, por exemplo, tinha como manchete: “Para freír monos”, ou “Para fritar macacos”.
Já o diário esportivo Líbero, também do Peru, destacava: “que los monitos traigan canasta para los goles” ou “que os macaquinhos tragam cesta para os gols”, referindo-se a uma possível goleada que poderia ser aplicada pela Seleção Peruana no duelo com o Equador. Os donos da casa acabaram vencendo por 1 a 0.
A definição racista nasceu nas arquibancadas peruanas em dias de jogos contra equipes ou a seleção do Equador. Recentemente, o termo se difundiu em jornais mais populares do país andino. Logo, o episódio envolvendo Tinga, do Cruzeiro, está longe de ser um caso isolado.
Na rede social Taringa, um internauta chegou a fazer um levantamento, em 2013, de algumas citações racistas feitas pela imprensa peruana. O título era “Imprensa peruana fomenta o racismo e o ódio”. O artigo reunia reproduções dos jornais peruanos Depor, Líbero e Ajá. Neles, não só os equatorianos eram chamados de “macacos”, mas os bolivianos era definidos como “boliches”, termo depreciativo.
Logo no Peru, um país que foi tão castigado por colonizadores.
Repúdio
No Brasil, houve repúdio de desportistas, da presidente da República, do ministro dos Esportes, políticos – o presidente da Câmara Municipal de Salvador fez uma nota de repúdio – e da imprensa em geral.

O Clube de Regatas Vasco da Gama – símbolo futebolístico de luta contra o racismo – emitiu uma nota oficial:
Nota oficial do Vasco em apoio a TingaVasco apoia Tinga
O Club de Regatas Vasco da Gama repudia qualquer forma de preconceito. Episódios como o de ontem, ocorrido na partida entre Asociación Real Atlético Garcilaso e Cruzeiro são inaceitáveis. Não deve haver mais espaço para este tipo de comportamento criminoso do qual o jogador Tinga foi vítima.
O Vasco da Gama, desde sua fundação  nascimento, luta pela igualdade racial e pede punição severa para os responsáveis pelas lamentáveis cenas vistas por todos na noite de quarta-feira.
Jogo Cruzeiro x Botafogo RJTinga
O depoimento de Tinga foi emocionante. “Eu queria não ganhar todos os títulos da minha carreira e ganhar o título contra o preconceito contra esses atos racistas. Trocaria por um mundo com igualdade entre todas as raças e classes.”
José Maria Marín
José Maria Marin
Carta aberta a José Maria Marin. “Levante dessa cadeira e vá agarrar o presidente da Conmebol pelo colarinho. Vá até a Fifa. Não foi só Tinga que foi comparado com macaco ontem no Peru. Foi toda a população brasileira. Justifique seu cargo…
Fala Cosme Rímoli: “José Maria Marin, presidente da CBF… Honre o cargo que herdou de Ricardo Teixeira. Honre seus 81 anos. Mostre que é brasileiro, cidadão, uma pessoa digna. Use o seu poder para algo que não lhe traga benefícios. Tenha coragem. O futebol, o povo deste país foi humilhado ontem no Peru. A estupidez, o preconceito, o nojento racismo tomaram conta das arquibancadas. E tinham como alvo Tinga, jogador do Cruzeiro. Mal ele entrou em campo contra o Real Garcilaso começou a barbárie. Huancayo virou palco de uma cena repugnante. O pecado do brasileiro? Ser negro. Torcedores começaram a imitar macaco para humilhar o volante. Batiam no peito e urravam, simulavam símios andando. Em mais um estádio indigno da Libertadores, o som reverberava. Todos no gramado ouviam. Principalmente Tinga. Era nítido o seu constrangimento, sua raiva, sua indignação. Tivesse um pingo de hombridade, José Argote suspendia o jogo. Mas o juiz venezuelano não teve. A partida foi até o final.
Marin, preste atenção nas palavras do jogador. O Cruzeiro perdeu de virada por 2 a 1. Mas o que importa foi a atitude inaceitável dos torcedores peruanos. Marin, você tem a obrigação moral de acabar com a acomodação da CBF. Já tem garantida a Copa mais cara da história. Massacrou nos bastidores seu maior inimigo, Andrés Sanchez. Garantiu a Marco Polo del Nero a CBF. Isso se você quiser sair. Porque amigos seus juram que você quer mais quatro anos. Poder é algo difícil de largar, não é? Você sabe bem disso. Desde os tempos de governador biônico foi assim, lembra? O cargo que seu mentor, Paulo Maluf lhe entregou. Depois perdeu prestígio político. Mas sempre esteve na Corte. O futebol foi sua redenção. Como vice presidente mais velho ganhou o cargo de Teixeira. Pressionado pela Fifa e pela Polícia Federal, ele foi para o exílio. Você não tem do que reclamar. O ministro Aldo Rebelo conseguiu o que parecia impossível. O aproximou da presidente Dilma. Justo ela que foi guerrilheira atuante. Deu a mão e posou para fotos sorrindo com um representante da Ditadura. Quem diria? Mas política é assim mesmo, não é?
Você desobedeceu Teixeira. Fritou Andrés Sanchez e não teve pena de Mano Menezes. Colocou de uma vez só Felipão e Parreira para comandar a Seleção. Preferiu a experiência e usou como escudo dois campeões mundiais. Tirou o pó do slogan que sempre adorou. “Brasil, ame-o ou deixe-o.” E instituiu o amor obrigatório à Seleção. Os jogadores descobriram a letra do hino nacional. Além de copiar o que os franceses fizeram na Copa de 1998. Todos têm de cantar abraçados e a plenos pulmões o hino brasileiro. Pois então honre esse nacionalismo que você jura ter. Não faça como Ricardo Teixeira.

Não é a primeira vez contra brasileiros

Diego Maurício

Diego Maurício
O Brasil jogava o pré-olímpico em 2011. Bastava o atacante Diego Maurício pegar na bola e a estupidez aparecia. Torcedores batiam no peito e urravam. Já viu essa cena em algum lugar, José Maria Marin? Sim foi no mesmo Peru. Diego Maurício estava com a camisa da Seleção Brasileira. A CBF foi de uma covardia absurda. Teixeira se calou, como sempre fazia diante de um problema grave. E todos fizeram de conta que nada demais aconteceu. Humilhação que deveria ser inaceitável. Mas o destino e várias acusações se vingaram de Teixeira. Ele teve de abandonar o cargo e o jogar no seu octogenário colo. Agora chegou a hora de agir. Você não se orgulha por ser a maior autoridade do futebol brasileiro? Saia da cadeira e use seu poder para algo digno. Vá até o Paraguai. E agarre pelo colarinho o presidente Eugenio Figueredo. Faça a Conmebol punir exemplarmente o Real Garcilaso. Afinal, todos os clubes são responsáveis por atos de seus torcedores. Interdite o lastimável estádio IV Centenário. Não se contente com isso. Vá até a Fifa do seu parceiro Joseph Blatter. Desta vez não falem em dinheiro, do lucro fabuloso da Copa do Mundo. Fale sobre racismo, intolerância racial. Mostre que você sabe que o apartheid acabou. Assim como a Ku Klux Klan não existe mais. Não há mais lugares nos ônibus e nos restaurantes separados por raça. E consiga uma grande punição ao Real Garcilaso. Lembre Blatter que o cidadão brasileiro precisa ser respeitado. Negro, amarelo, pardo, branco, seja qual for sua cor. Não se finja de surdo, mudo e cego. É sua obrigação, tenha dignidade. Não mande cartinha e dê murro na mesa para ser fotografado. Tome atitude. Você representa o futebol cinco vezes campeão do mundo. Mais do que isso, até. Hoje você é responsável pela honra de 195 milhões de pessoas. Não foi Tinga do Cruzeiro o ofendido. Foi Paulo César Fonseca do Nascimento, o cidadão brasileiro. Você não foi capaz de discursar contra os excessos comunistas da TV Cultura? Todos sabem quais foram as consequências. Agora se assuma como presidente da CBF e defenda a honra do povo deste país. Não foi também você que disse que estava faltando amor ao país? Então defenda um brasileiro que foi jogar por um clube deste país. E foi comparado a macaco. A Libertadores é transmitida para inúmeros países do mundo. As cenas foram degradantes. Queira ou não, Marin, você terá de agir. Você pelo cargo.
Porque quem deveria também ter a coragem de falar é Pelé. Mas ele não se mete nesse tipo de assunto. Embora seja brasileiro e tão negro quanto Tinga ou Diego Maurício. Ronaldo e Neymar também não compram a briga de frente. Aliás, Marin, você lembra o que os dois declararam sobre o assunto? “ Acho que todos os negros sofrem (com o racismo). Eu, que sou branco, sofro com tamanha ignorância .” Esse foi o Ronaldo. Perguntado se já foi vítima de racismo, Neymar respondeu. “Nunca. Nem dentro e nem fora de campo. Até porque eu não sou preto, né?” Marin, o Brasil está cansado de esperar uma reação firme. Alguém que tome atitude de verdade contra o preconceito. Tenha coragem de enfrentar ignorantes racistas imitando macacos. A hora é essa. Vá até à Conmebol, à Fifa. Entre pelo menos uma vez na história… Mas por um ato que desperte orgulho. Aja como presidente, como homem diante de um ato repugnante. Tenha a dignidade de representar um povo. Que, graças a Deus, é miscigenado. As raças se misturam nesta população. Nós brasileiros temos orgulho do nosso sangue misturado. O futebol nacional nos faz ter vergonha todos os dias. Que esta quinta-feira seja diferente. E a CBF não seja motivo de mais um vexame. A população está esperando, Marin. Chega de pensar em interesses pessoais. Fomos todos nós comparados a macacos. Não é isso que você pensa da população do seu país, não é? Então, prove presidente José Maria Marin…”

 

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